Manoel Bomfim: Crítica ao Estado Patrimonialista e Utopia Educacional em América Latina Males de Origem (1905)
DOI: http://dx.doi.org/10.21491/2237-3217/mnemosine.v5n2p169-178
http://mnemosinerevista.wix.com/ppgh-ufcg
Luiz C. Bento1
Resumo: Esse artigo busca refletir sobre as críticas produzidas por Manoel Bomfim em seu ensaio histórico América Latina Males de Origem em relação ao papel do Estado na construção da nacionalidade brasileira, dando maior ênfase para a sua defesa da necessidade de construir um novo sistema educacional capaz de formar o individuo para os novos desafios impostos pela sociedade brasileira depois das mudanças e da emergência de novos atores sociais alavancados pela abolição e pela proclamação da república. Além de suas críticas radicais ao pensamento racial dominante entre os intelectuais brasileiros de seu tempo, o texto de América Latina, também é inovador em relação à defesa da educação como uma alternativa viável para a construção de uma sociedade democrática e livre, que entendemos ser um horizonte político que permeia a obra deste intelectual sergipano.
Palavras-chave: Estado, Nacionalidade e Educação.
Abstract: This article reflects on the criticisms by ManoelBomfim in his historical essay América Latina Males de Origem in relation to the role of the State in the construction of Brazilian nationality, giving greater emphasis to its defense of the need to build a new educational system capable of forming the subject to the new challenges posed by the Brazilian society after the changes and the emergence of new social actors leveraged by the abolition and the proclamation of the Republic. In addition to its radical criticism to the dominant racial thinking between Brazilian intellectuals of his time, the text of América Latina, is also innovative in relation to the defence of education as a viable alternative for the construction of a democratic and free society, which we believe to be a political horizon that permeates the work of this intellectual sergipano.
Key words: State, Nationality and Education.
1 Doutorando em História/UFG. Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. luizc.bento@yahoo.com.br
2 Esse conceito faz uma referência direta a uma categoria de análise proposta por BARROS, José D’assunção, em sua obra. Teoria da História volume IV. Acordes historiográficos: uma nova proposta para a teoria da história. Rio de Janeiro: Ática 2011. Onde o autor utiliza-se desta metáfora musical para pensar aspectos dissonantes de autores clássicos da teoria da história.
Literatura Citada
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BARROS, José D’assunção, em sua obra. Teoria da História volume IV. Acordes historiográficos: uma nova proposta para a teoria da história. Rio de Janeiro: Ática 2011.
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